Abuso sexual sem conjunção carnal é possível?

3 de out.
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A resposta é simples: sim, é possível.
Apesar disso, muitas pessoas ainda acreditam que uma violência sexual só acontece quando há penetração vaginal. Essa ideia é incorreta e pode fazer com que as vítimas deixem de receber proteção, tratamento e acesso à Justiça.

Compreender o que caracteriza o abuso sexual é fundamental para pais, educadores, profissionais da saúde e toda a sociedade.
O que significa conjunção carnal?
A expressão "conjunção carnal" é um termo jurídico tradicionalmente utilizado para se referir à penetração do pênis na vagina. Contudo, a violência sexual é muito mais ampla do que isso.
A legislação brasileira passou a considerar que diversos atos de natureza sexual podem produzir danos tão graves quanto aos decorrentes da conjunção carnal.

Atualmente, a prática de qualquer ato libidinoso com criança menor de 14 anos configura crime, independentemente da ocorrência de penetração. Do ponto de vista psicológico, essa ampliação faz sentido. O sofrimento emocional de uma vítima não depende exclusivamente do tipo de contato físico sofrido, mas também da quebra de confiança, do medo, das ameaças utilizadas pelo agressor e da forma como a violência é percebida pela criança.
O que é considerado abuso sexual?
O abuso sexual é uma forma de violência na qual uma pessoa utiliza outra para obter satisfação sexual sem que exista consentimento válido, livre e consciente.
No caso de crianças, a situação ainda é mais clara: crianças não possuem maturidade psicológica e desenvolvimento suficiente para consentir com práticas de natureza sexual. Por isso, qualquer ato sexual praticado contra uma criança é considerado abusivo, independentemente de ela oferecer resistência, permanecer em silêncio ou aparentar não compreender o que está acontecendo.
Entre os comportamentos que podem configurar abuso sexual estão:
Tocar as partes íntimas da criança;
Fazer a criança tocar o corpo ou os órgãos genitais do agressor;
Obrigar a vítima a assistir atos sexuais;
Expor a criança a conteúdos pornográficos;
Tirar fotografias ou gravar vídeos com finalidade sexual;
Fazer comentários sexualizados sobre o corpo da vítima;
Beijos provocados com conotação sexual;
Masturbação na presença da criança;
Solicitar imagens íntimas pela internet;
Entre muitos outros.
Em nenhuma dessas situações há necessidade de conjunção carnal para que o ato se caracterize como violência sexual.
A ausência de lesões físicas significa que não houve abuso?
Não.
Essa é uma das maiores dificuldades enfrentadas em investigações de violência sexual contra crianças e adolescentes. Muitas modalidades de abuso sexual não permitem marcas corporais permanentes. Além disso, algumas lesões podem cicatrizar rapidamente ou serem de difícil relação com um abuso sexual, como a penetração anal, por exemplo.

Em situações de exposição à pornografia, manipulação de órgãos genitais sobre roupas, carícias íntimas ou atos praticados sem emprego de força física, é comum que exames médicos não identifiquem vestígios materiais.
Isso não significa que a violência não tenha acontecido. Nesses casos, outros elementos podem contribuir para a investigação, como relatos espontâneos da vítima, testemunhos, mensagens eletrônicas, imagens, mudanças comportamentais e avaliações especializadas, incluindo a perícia psicológica .
Por que esse tema ainda gera dúvidas?
Durante muito tempo, a sociedade associou a violência sexual exclusivamente ao estupro. Essa visão limitada contribuiu para minimizar outras formas de abuso e dificuldade de reconhecimento do sofrimento das vítimas.
Infelizmente, ainda é comum ouvir frases como:
"Mas ele só passou a mão."
"Não teve relação, então não foi tão grave."
Essas afirmações podem aumentar o sofrimento da vítima e prejudicar revelações futuras. A gravidade de uma violência sexual não deve ser medida apenas pela existência de lesões físicas, mas também pelo impacto que ela provoca na saúde emocional, no desenvolvimento psicológico e na sensação de segurança da criança ou do adolescente.
O que fazer diante de uma suspeita?
Caso uma criança ou adolescente relacione uma situação de natureza sexual, é importante acolher a informação com calma e sem julgamentos. Evite perguntas sugestivas, não pressione por detalhes e demonstre que a vítima fez algo certo ao procurar ajuda.





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